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segunda-feira, 9 de julho de 2012

A Plurissignificação em Franz Kafka e Salvador Dalí

O objetivo deste estudo é analisar o conto "A Ponte" de Franz Kafka, dando ênfase à metáfora da ponte. E como o autor trabalha com uma característica onde o imaginário é extraído do sonho, abordaremos uma comparação com a obra do pintor surrealista Salvador Dali.



Franz Kafka (1883-1924), escritor tcheco de língua alemã, criou uma das obras mais originais do século XX. Fruto de sua personalidade complexa e atormentada, mas também de sua intuição e talento literário. As preocupações de sua literatura expressam certas inquietudes do homem e do seu século; descreve o universo angustiante e opressivo em que o indivíduo está sozinho e impotente diante da burocracia, da justiça, do poder e da sociedade, que aparecem diante dele como algo hostil e incompreensível.
O autor e sua obra são inseparáveis, porém, ao analisar o conto, não o faremos de ponto de vista da vida do autor, apesar de críticos afirmarem que seus contos retratam cenas de sua própria vida. Segundo Bakhtin "o autor é como Deus: cria seus personagens a sua imagem e semelhança"; mas aqui mostraremos que o conto é outro universo: "Plurissignificativo" 

A ponte:
Eu estava teso e frio, eu era uma ponte; deitado por cima de um abismo. No lado de cá estavam fincadas as pontas dos pés, além, as mãos, cravei os dentes num barro que se esboroava. A abas do meu casaco esvoaçavam a meus lados. No fundo rumorejava o gelado arroio das trutas. Nenhum turista iria perder-se naquela altura intransitáveis, a ponte ainda não fora marcada nos mapas. Assim fiquei deitado esperando; tinha de esperar. Sem desabar, nenhuma ponte, uma vez erigida, pode deixar de ser ponte. 
Foi certa vez, para o entardecer  – se foi a primeira, se foi a milésima, não o sei  –
meus pensamentos andavam sempre confusos, giravam, sempre em círculo. Para o entardecer, no verão, o riacho rumorejava mais soturno, foi então ouvi passos de um homem. Para cá, para cá.. Espicha-te, ponte, coloca-te em posição, viga sem corrimões , segura aquele que te é confiado. Equilibra imperceptivelmente a insegurança de seu passo, se ele porém vacilar, então dá-te a conhecer e, como um deus da montanha, atira-o à terra firme. 
Ele veio, tateou-me com a ponta ferro de seu bastão, depois ergueu com ela as abas do meu casaco, ordenando-as em cima de mim. Enfiou a ponta em meus cabelos tufados e, provavelmente olhando desorientado em volta, deixou-a ficar ali por longo tempo. Depois, porém- eu estava justamente a acompanhá-lo em meus sonhos por sobre os montes e vales- saltou com ambos os pés bem no meio de meu ventre. Estremeci, tomado de uma dor atroz, totalmente sem saber quem ele era. Uma criança? Um sonho? Um salteador? Um suicida? Um tentador? Um exterminador? E virei-me para o olhá-lo- uma ponte que se vira! Eu ainda não tinha completado a volta, e já fui despencando, despenquei, e já fui dilacerando e espetado pelos seixos pontiagudos que sempre me haviam fitado tão pacificamente através das águas impetuosas. 
(Tradução de Betty M. Kunz)


No conto A Ponte, o narrador antes de se apresentar afirma sua condição: "eu estava teso e frio"; mostrando primeiro a sua condição no  mundo condição em que se encontrava. Teso é um adjetivo que significa estirado; estendido; firme. Este adjetivo unido ao outro "frio" estabelece a condição sentimental do narrador até o desfecho do conto. Narrado em primeira pessoa, sendo o narrador uma ponte, já se nota o absurdo dessa condição.
Uma ponte possui dois extremos, como no conto: "no lado de cá estavam fincadas as pontas dos meus pés, no lado de lá, as mãos". Os pés representam a condição de realidade, de caminho firme, enquanto as mãos representam o tato, o sentir, o tocar, o desejo, mostrando o sonho. O narrador trabalha com as duas dimensões no conto : "Realidade e Sonho" e, para isso, ele se metaforiza em uma ponte, que une esse dois universos. Então o narrador é o elo que os une, é condição que mantém realidade e sonho ligados.
O narrador diz ainda: "turista algum iria perder-se naquela altura intransitável, a ponte ainda não fora marcada nos mapas". Aqui o narrador mostra-nos que mesmo ele sendo um elo, algo para ser transitado, ninguém se aventuraria naquele trajeto. Condição de solidão do narrador de estar sozinho, vivendo  realidade e sonho ao mesmo tempo. Quanto a não marcação nos mapas, retrata a falta de reconhecimento de não ser algo totalmente real. O narrador sugere que o que ele vive não é totalmente real e nem totalmente sonho. É o omento incompreensível. Por isso sua firmeza e frieza desde o início do conto.
Continua o narrador: "tinha de esperar. Sem desabar, nenhuma ponte, uma vez erigida pode deixar de ser ponte" O autor trabalha muito com Realidade x Sonho. O protagonista é o elo, sendo este elo, nunca depois de erguido pode deixar de exercer tal função, assim o narrador sugere que para o sonho um dia ser concretizado ele tem de ser forte e resistente, ele mesmo afirma: "tinha de esperar".
Em outra passagem do conto, o narrador se encontra com algo (para ele) totalmente inusitado. Uma ponte serve para passagem de pessoas, daí o narrador estranha quando ouve passos sobre ele : "Foi então que ouvi passos de um homem". Nota-se nessa passagem da narração que o autor enfatiza o "para cá", acentuando mais a realidade. Ele estava sendo inaugurado, e nessa nova realidade, o narrador sofre, sua angústia é sofrida apenas na realidade, pois, em nenhuma circunstância ele cita o "lá", como já analisamos, representa o sonho, o abstrato. Então tudo o que é estranho está no plano real do narrador.
Depois, o narrador começa descrever totalmente em um tom de suspense: "Ele veio, tateou-me coma ponta de ferro de seu bastão, depois ergueu-me com ela as abas de meu casaco, ordenando-as em cima de mim". aqui o narrador descreve uma imagem em que o "outro" o faz de passarela, como era a primeira vez que aquela ponte era esteiada por alguém, esse "alguém" se faz triunfante e a ponte se transforma em uma passarela. Passarela que está relacionada diretamente com um lugar de exibição, o "outro" se exibe por cima dela. Mas o narrador se mantém firme. Mas surgem um paradoxo: enquanto ponte, o narrador está contemplando "o gélido arroio das trutas"; observando as águas. Quando surge o absurdo: "Saltou com ambos os pés bem no meio de meu ventre"; Com isso pode ocorrer se o narrador está de costas para o céu? O que realmente o narrador sugere com esta imagem tão contraditória? O que significa o ventre?
O ventre é parte central onde estão alojados diversos órgãos como: o estômago, intestino, fígado etc. Mas no conto, o protagonista é uma ponte, então o sentido de ventre é figurativo. O ventre está ligado ao âmago, isto é à essência. O narrador sente aquele impacto semelhante a um soco que nos tira o fôlego e nos faz perder as forças. O narrador deixa o seu estado primitivo de "teso" e passa a ser flexível.
Tenta encarar o desconhecido, ao vira-se pra encarar o problema surge o inesperado novamente, o narrador se descuida e cai em total contradição: "Uma ponte que se vira!"
Neste momento a ponte despenca abismo abaixo e se desfaz. Isso remete á virada do conto. Ao momento em que o narrador está sozinho em sua constante solidão, ele se mantém firme, observando apenas as águas, no momento de curiosidade e aflição por estar sendo inaugurada, o narrador-ponte, tenta observar o céu, e com isso cai. Novamente a imagem do real e sonho é percebida no conto.
As águas impetuosas, como o narrador traduz no conto, podem nos remeter à ideia de real. Um real totalmente conflituoso, em que o narrador sofre sua condição diante do mundo que o cerca. Ele vive esse conflito sobre sua realidade. Mas no momento em que ele se desliga do real, ao virar-se, acontece a queda. O céu que tanto o narrador espera contemplar, é traçado como algo desejável por ser infinito.
O autor tenta passar uma reflexão em que o ser humano, servindo de elo entre o sonho e a 
realidade nunca pode ceder  para uma lado. Tem de estar totalmente firme, como uma ponte. Se isso ocorrer, pois se em algum momento de nossas vidas estivermos em conflitos por esse dualismo (real e imaginário), teremos uma queda insuperável, sofreremos ora por sermos totalmente realistas, e ora por tratarmos o mundo apenas como algo subjetivista ao extremo.  Nesta metáfora provocadora, Kafka transmite uma imagem associada ao sonho; e semelhantemente....


Salvador Dali (1904- 1984) era um publicitário autodidata incontrolável e cultivador da arte do mais famoso bigode do mundo. Dali enfatizava a imagem do sonho em suas obras como método "paranoico-crítico". O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica.
Agora vamos nos deter em algumas obras:


A persistência da memória, o mais conhecido dos quadros, Dalí levou apenas 2 hrs para realiza-lo.
A flacidez dos relógios dependurados e escorrendo mostram uma preocupação humana com o tempo e a memória. A cabeça adormecida que aparece nesse quadro, em muitos outros também, é o próprio Dalí presente.


Em sono, Dali recriou o tipo de cabeça grande e mole e o corpo inexistente que aparecia com tanta frequência nos seus quadros por volta de 1929. Neste caso, entretanto, o rosto não é um auto-retrato. Sono e sonhos são temas comuns aos surrealistas, uma vez que é dormindo e sonhando que temos o dominio do inconsciente. O homem adormecido de Dali está dormindo precariamente sobre muletas. Muletas sempre foram a marca registrada de Dali, sugerindo a fragilidade em que nossa realidade se apoia. Até o cachorro está sustentado por ela. Toda a luz desta obra, mostra a ideia de fuga do mundo real.

Após a segunda guerra mundial, imaginava-se que o mundo seria outro e que nasceria um novo homem dessa experiência traumática que é a guerra .
Mas a visão de Dalí não demonstra este otimismo. A criança que assiste ao nascimento está assustada e a mulher que aponta para o acontecimento, a saída do homem do ovo - mundo, é ao mesmo tempo esquelética e musculosa. É uma atmosfera de ameaça e não de alegria. O ovo é o próprio mundo, com uma casca mole, onde os continentes são moles e estão derretendo: misteriosamente, a África ocidental deixou cair uma lágrima. Há uma gota de sangue escorrendo da abertura de onde sai o homem.



O método "paranoico-crítico utilizado por Salvador Dali envolvia a percepção de mais de uma única imagem em configuração. Surge então a ideia de plurissignificação. A imagem transmite além de nossas percepções visuais. Transmite sentimentos.
Tanto Salvador Dali, como Franz Kafka, nos trás a imagem muitas vezes de sonhos, ou até mesmo de pesadelos que criam raízes nos nossos subconscientes. Quanto mais examinamos os grandes artistas de épocas onde a sociedade é totalmente desumana e cruel, mais apreciamos a obras de artistas como Kafka e Dalí. Não importa quão sejam suas obras, eles foram tocados pelos eventos da história assim como qualquer pessoa. Suas vidas foram destruídas por guerras, contradições e amarguras que o mundo produziram, mas maior do que tudo isso são suas obras que permaneceram infinitas em significações.

sábado, 9 de junho de 2012

Metalinguagem em José Saramago e Ian McEwan

Este ensaio tem como objetivo analisar a intertextualidade e a metalinguagem entre o escritor português José Saramago, e, o escritor britânico Ian McEwan. Para este projeto compartilharemos a obra "A Viagem do Elefante" (José Saramago) e "Reparação" (Ian McEwan). Ambos autores contemporâneos, porém de nacionalidades diferentes


Músico frustrado, melómano, admirador de Mozart, Rossini e Donizetti, o romancista Ian McEwan, para muitos o melhor escritor britânico da atualidade. Ian McEwan (Aldershot, 21 de Junho de 1948), chamado por vezes de “Ian Macabro”, devido à natureza das suas primeiras obras, e que de romance a romance se tem convertido em um dos mais conhecidos da sua geração. Seu romance "Reparação" foi adaptado para o cinema em 2007 com o título "Desejo e Reparação". 
O filme não é tão fiel à obra de McEwan, porém este é outro assunto. Nosso foco será na perspectiva da metalinguagem.

José de Sousa Saramago(1922 - 2010) foi um escritor, argumentista, teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou. em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.
 Saramago foi conhecido por utilizar um estilo oral, coevo dos contos de tradição oral populares em que a vivacidade da comunicação é mais importante do que a correção de uma linguagem escrita. Todas as características de uma linguagem oral, predominantemente usada na oratória, na dialética, na retórica e que servem sobremaneira o seu estilo interventivo e persuasivo estão presentes.



Para dar continuidade ao nosso trabalho, primeiramente vamos definir o que seria a palavra metalinguagem. É formada com o prefixo grego -meta; que expressa as ideias de comunidade ou participação, mistura ou intermediação e sucessão, designa a linguagem que se debruça sobre si mesma. Por extensão, diz-se também: metadiscurso, metaliteratura, metapoema e metanarrativa. Em seu estudo sobre as funções da linguagem, Roman Jakobson considera função metalinguística quando a linguagem fala da linguagem, voltando-se para si mesma. Tal função reenvia o código utilizado à língua e a seus elementos constitutivos.
Dessa forma, em "A Viagem do Elefante", Saramago conta a história real de uma viagem épica de um elefante asiático chamado Salomão, no século XVI, que cruzou metade da Europa, de Lisboa a Viena. O autor cria uma ficção em que se encontram pelos caminhos da Europa personagens reais de sangue azul, chefes de exército que se vão às vias de fato e padres que querem exorcizar Salomão ou lhe pedir um milagre. O autor tem uma característica muito própria em suas narrativas, seja pela quase total ausência de pontuação, usando somente vírgulas para diferenciar os diálogos, o que analisamos como uma forma de dar realismo à fala em tempo real. Elas são anunciadas apenas por maiúsculas, após a vírgulas ou pontos. Os parágrafos são imensos, com frases entrecortadas por vírgulas. Agora as maiúsculas só aparecem para fundarem uma nova frase ou indicar uma fala, e não mais do que isso.
Outro detalhe cada vez mais presente na construção de suas narrativas é o recurso à abundantes empréstimos linguísticos, bem como a metalinguagem, que é aqui algo claramente assumido pelo narrador, que em várias passagens admite estar escrevendo um livro, ou estar produzindo um relato denominado-se como romancista. O narrador mostra uma ironia sobre o ato da poética, os valores da significação e sobre as intenções da escrita:
"(...) Em verdade vos direi, em verdade vos digo que vale mais ser romancista, ficcionista, mentiroso"

Já Ian McEwan escreveu um romance que discute o conceito de literatura enquanto interpretação de um mundo, de um personagem-autor, ao construir textos para defender a ideia de uma identidade literária na literatura Inglesa, voltando ao passado, precisamente a Inglaterra de 1935 prestes a entrar na Segunda Guerra Mundial. Para isso ele utiliza a personagem principal, Briony. Parece reiterar a ideia de se repensar a narrativa enquanto possibilidade de leitura do tempo e do espaço, assim como validade do conceito de "leitura de mundo"
McEwan além da metalinguagem se utiliza da intertextualidade citando várias obras literárias que transformam "Reparação" em um romance que discute a própria literatura e ao ato de escrever ao propor a interpretação das personagens sobre o que estão lendo: os cânones da literatura inglesa que começam por Samuel Richardson, Henry Fielding, Jane Austen, Henry James e Virginia Wolf. A conexão entre a literatura (espaço da criação) e o mundo (espaço da realidade).
Briony (protagonista) aspira a ser escritora, ensaia e reescreve "Arabella em Apuros" sua primeira obra baseada em suas percepções do que seria o amor. O ato de escrever estabelece o que irá conduzir Briony a uma série de descobertas sobre a realidade que não caberia na ficção. Reparar o mal causado é utilizado como confessionário que a escrita literária se propõe a partir da sua limitação.
Este recurso metalinguístico utilizado por McEwan que tanto intriga o leitor, nos mostra desde o início, que não estamos lendo o que um narrador onisciente escreveu ao relatar as desventuras dasventuras das personagens, mas o próprio relato de Briony em terceira pessoa e distanciado, quando ela termina de escrever "Reparação em 1999 e o finaliza com suas iniciais (BT). Depois de mais de trezentas páginas, o leitor percebe que o que foi escrito até então era fruto da "Mente" de Briony que se mistura ao narrador: Para mostrar esse recurso retiramos excertos da obra:

"[..] estive pensando em meu último romance, que deveria ter sido o primeiro[..] Cometemos um crime- Lola, Marshall e eu- e, a partir da segunda versão, resolvi narrá-lo. Achei que tinha a obrigação de não disfarçar nada- nomes, lugares, circunstâncias exatas, coloquei tudo no texto, por uma questão de exatidão histórica [..]"

"Pensar, tudo bem, escrever não [..] Não há reparação possível para Deus nem para os romancistas, nem mesmo para os romancistas ateus"

A escrita, nesse caso, é um processo ciado pela memória coletiva das personagens, por mais que o escritor se isole para escrever. Esse processo é uma tentativa de interpretação da "realidade" que não cabe inteiramente na literatura, ou seja, não é possível pensar em personagens como "seres reais", mesmo quando escritores buscam uma representação perfeita do pensamento humano


Dessa forma concluímos que ao compararmos as duas obras notamos que seus respectivos autores são prisioneiros de sua época, de sua atualidade. Os tempos posteriores os libertam dessa prisão. O autor usa a palavra literária para às vezes libertarem-se de suas angústias existenciais, o desconforto ante sua visão do mundo, em contrapartida do próprio mundo, o autor assim usa essa palavra literária por evasão, libertação de suas ideias, a cura dos seus anseios. Mas, também, o autor usa literatura como forma de denúncia, suas palavras já não precisam de bússolas para serem guiadas, por si só, já fazem o caminho direto. Isso pode ser notado no trecho do excerto de Saramago:

"[...] No fundo, há que reconhecer que a história não é apenas seletiva, é também discriminatória, só come da vida o que lhe interessa"

sábado, 26 de maio de 2012

O Mito de Narciso em: Oscar Wilde e Machado de Assis

"E sem dúvida o nosso tempo...prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... "(Feuerbach)

O objetivo deste ensaio é aproximar a obra do escritor irlandês de língua inglesa Oscar Wilde com a obra do escritor brasileiro Machado de Assis.
Para este feito iremos comparar o romance: "O Retrato de Dorian Gray" (Oscar Wilde); com o conto "O Espelho" (Machado de Assis). E nosso foco vai de encontro onde as duas obras de confrontam: "O Narcisismo" embutido em ambos os personagens centrais: Dorian Gray e Jacobina.

 Oscar Wilde (1854-1900) É uns dos grandes escritores da íngua inglesa, escreveu várias obras importantes da literatura universal. Com suas atitudes iconoclastas e anti-convencionais escandalizou o mundo literário de sua época. Oscar Wilde imaginou levar a vida como se fosse uma obra de arte. Para ele só a beleza contava.  Nascido em Dublin, na Irlanda, em uma família meio inglesa e meio irlandesa, Wilde foi, com sua estética e sua vida elegante, um dos mais aclamados autores teatrais e uma celebridade no fim do período vitoriano, na Inglaterra do século 19. Wilde levou uma vida de celebridade no velho continente, porém morreu amargurado no exílio na França. Mas esta parte de sua história não nos interessa neste momento, pois sua arte transpassa a linha do tempo, e ainda hoje nos provoca!


Machado de Assis (1839-1908) Na verdade Joaquim Maria Machado de Assis. Filho de Francisco José de Assis, um mulato pintor de paredes, e de Maria Leopoldina Machado, uma lavandeira açoriana, Machado de Assis passou a infância na chácara da família Barroso, no bairro do Livramento. Aos quinze anos de idade, Machado já transitava do subúrbio até a cidade, publicada alguns versos na Marmota Fluminense e frequentava a Sociedade Petalógica. Trabalha como jornalista e, a partir de 1860, inglesa no funcionamento público. Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier, portuguesa. Nomeado diretor do Diário Oficial, não viu diminuídas suas dificuldades financeiras, tanto que continuou a colaborar na imprensa. Paralelamente a sua carreira publica, tornou-se um escritor admirado e respeitado, ajudando a fundar, em 1896, a Academia Brasileira de Letras, da qual foi eleito primeiro e perpétuo presidente. Das muitas contribuição de Machado de Assis, a mais importante sem dúvida é a de colocar a nossa literatura no mapa mundial literário. Não estamos desmerecendo os outros escritores do nosso país, porém assim como há uma música antes de Bach e outra depois de Bach, na literatura brasileira acontece algo semelhante. Machado de Assis é o maior escritor brasileiro de todos os tempos, e suas obras até hoje perdura em nossa existência. Seus temas vem do cotidiano. É do dia a dia da rua, do passeio público, que as coisas vem surgindo. Sua linguagem atribui reúne elaboração e simplicidade, além de colocar o leito incluso nas suas obras. E claro, não podia faltar a sua ironia. Com tantas qualidades, sem dúvida Machado de Assis é um dos grandes cânones da literatura Mundial. 

Para dar continuidade em nosso ensaio, daremos uma pequena apresentação do tema "Narcisismo". Lógico que não podemos abrir mão do mito de Narciso.

O Mito de Narciso
Narciso era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope, e era um jovem de extrema beleza. Porém, à despeito da cobiça que despertava nas ninfas e donzelas, Narciso preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecedora do seu amor. E foi justamente este desprezo que devotava às jovens a sua perdição. Pois havia uma bela ninfa, Eco, amante dos bosques e dos montes, companheira favorita de Diana em suas caçadas. Mas Eco tinha um grande defeito: falava demais, e tinha o costume de dar sempre a última palavra em qualquer conversa da qual participava. Um dia Hera, desconfiada - com razão - que seu marido estava divertindo-se com as ninfas, saiu em sua procura. Eco usou sua conversa para entreter a deusa enquanto suas amigas ninfas se escondiam. Hera, percebendo a artimanha da ninfa, condenou-a a não mais poder falar uma só palavra por sua iniciativa, a não ser responder quando interpelada.


Assim a ninfa passeava por um bosque quando viu Narciso que perseguia a caça pela montanha. Como era belo o jovem, e como era forte a paixão que a assaltou! Seguiu-lhe os passos e quis dirigir-lhe a palavra, falar o quanto ela o queria... Mas não era possível - era preciso esperar que ele falasse primeiro para então responder-lhe. Distraída pelos seus pensamentos, não percebeu que o jovem dela se aproximara. Tentou se esconder rapidamente, mas Narciso ouviu o barulho e caminhou em sua direção:
- Há alguém aqui?
- Aqui! - respondeu Eco.
Narciso olhou em volta e não viu ninguém. Queria saber quem estava se escondendo dele, e quem era a dona daquela voz tão bonita.
- Vem - gritou.
- Vem! - respondeu Eco.
- Por que foges de mim?
- Por que foges de mim?
- Eu não fujo! Vem, vamos nos juntar!
- Juntar! - a donzela não podia conter sua felicidade ao correr em direção do amado que fizera tal convite.
Narciso, vendo a ninfa que corria em sua direção, gritou:
- Afasta-te! Prefiro morrer do que te deixar me possuir!
- Me possuir... - disse Eco.
Foi terrível o que se passou. Narciso fugiu, e a ninfa, envergonhada, correu para se esconder no recesso dos bosques. Daquele dia em diante, passou a viver nas cavernas e entre os rochedos das montanhas. Evitava o contato com os outros seres, e não se alimentava mais. Com o pesar, seu corpo foi definhando, até que suas carnes desapareceram completamente. Seus ossos se transformaram em rocha. Nada restou além da sua voz. Eco, porém, continua a responder a todos que a chamem, e conserva seu costume de dizer sempre a última palavra. Não foi em vão o sofrimento da ninfa, pois do alto, do Olimpo, Nêmesis vira tudo o que se passou. Como punição, condenou Narciso a um triste fim, que não demorou muito a ocorrer.
Havia, não muito longe dali, uma fonte clara, de águas como prata. Os pastores não levavam para lá seu rebanho, nem cabras ou qualquer outro animal a frequentava. Não era tampouco enfeada por folhas ou por galhos caídos de árvores. Era linda, cercada de uma relva viçosa, e abrigada do sol por rochedos que a cercavam. Ali chegou um dia Narciso, fatigado da caça, e sentindo muito calor e muita sede.


Narciso debruçou sobre a fonte para banhar-se e viu, surpreso, uma bela figura que o olhava de dentro da fonte. "Com certeza é algum espírito das águas que habita esta fonte. E como é belo!", disse, admirando os olhos brilhantes, os cabelos anelados como os de Apolo, o rosto oval e o pescoço de marfim do ser. Apaixonou-se pelo aspecto saudável e pela beleza daquele ser que, de dentro da fonte, retribuía o seu olhar.
Não podia mais se conter. Baixou o rosto para beijar o ser, e enfiou os braços na fonte para abraça-lo. Porém, ao contato de seus braços com a água da fonte, o ser sumiu para voltar depois de alguns instantes, tão belo quanto antes.


- Porque me desprezas, bela criatura? E por que foges ao meu contato? Meu rosto não deve causar-te repulsa, pois as ninfas me amam, e tu mesmo não me olhas com indiferença. Quando sorrio, também tu sorris, e responde com acenos aos meus acenos. Mas quando estendo os braços, fazes o mesmo para então sumires ao meu contato.


Suas lágrimas caíram na água, turvando a imagem. E, ao vê-la partir, Narciso exclamou:


- Fica, peço-te, fica! Se não posso tocar-te, deixe-me pelo menos admirar-te.
Assim Narciso ficou por dias a admirar sua própria imagem na fonte, esquecido de alimento e de água, seu corpo definhando. As cores e o vigor deixaram seu corpo, e quando ele gritava "Ai, ai", Eco respondia com as mesmas palavras. Assim o jovem morreu.
As ninfas choraram seu triste destino. Prepararam uma pira funerária e teriam cremado seu corpo se o tivessem encontrado. No lugar onde faleceu, entretanto, as ninfas encontraram apenas uma flor roxa, rodeada de folhas brancas. E, em memória do jovem Narciso, aquela flor passou a ser conhecida pelo seu nome.

E este fascínio pela imagem é visto no conto de Machado de Assis o "O Espelho":
A história de Jacobina (protagonista do conto) é curiosa: depois de ser nomeado alferes, a tia pede que ele a visite em sua fazenda e que não esqueça de levar a sua farda. Lá, todos os dias, Jacobina, veste a farda e se observa em um espelho antigo: " era a melhor peça da casa" . Em seguida a tia precisa se ausentar da propriedade . Os escravos aproveitam e fogem. Então, o alferes se vê sozinho. Fica nervoso, acabrunhado, como mal. Logo em seguida olha-se no espelho sem a farda e se assusta: enxerga uma figura "vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra". É a alma exterior, que para Jacobina se resume em uma farda de alferes. Privado dela, o protagonista não vive mais. Precisa dela. Precisa desta imagem para se encontrar no mundo. Segundo o crítico Antonio Candido, a força do conto "vem da utilização admirável da farda simbólica e do espelho monumental no deserto da fazenda abandonada, construindo uma espécie de alegoria moderna das divisões da personalidade e da relatividade do ser"...
-"O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade"


Na Obra "O Retrato de Dorian Gray, considerada a obra mais intrigante de Wilde,  tem como ponto de partida a relação entre o jovem Dorian e seu retrato, feito pelo pintor Basil. Certo dia, Dorian expressa a vontade de não envelhecer, como seu duplo no quadro. A partir de então, quem envelhece é o retrato, o que não torna mais simples a vida do jovem, que passa a desenvolver relações violentas tanto com as pessoas que o cercam quanto com o próprio retrato. Todos os seus crimes são expostos no seu retrato.
Quando o personagem Lord Henry afirma a Dorian que  "o tempo tem-lhe inveja e faz guerra aos seus lírios e suas rosas". Em Dorian abre-se a mais dolorosa ferida do ser humano: a efemeridade de sua existência. Lord Henry é o personagem que trás a inquietação em Dorian.
Vocês devem está perguntando onde o Narcisismo entra na história.
Dorian Era um jovem como afirma Basil: "a bela aparência de Dorian Gray: são dons dos deuses" (pag.17)
Depois do retrato pintado, Dorian Olhou-o e:
"A noção de sua beleza dominava-o como uma revelação" (pag.35)

E assim como Narciso, Dorian encanta-se e se apaixona-se pela própria imagem, e em função da mesma passa a viver
Deseja viver para sempre com aquele rosto juvenil:

"-Que tristeza!- murmurou Dorian.- Que tristeza!- repetiu, com os olhos cravados na sua efígie- Eu vou ficar velho, feio, horrível. Mas este retrato se conservará eternamente jovem. Nele, nunca serei mais idoso do que neste dia de junho... Se fosse o contrário! Se eu pudesse ser sempre moço, se o quadro envelhecesse!... Por isso, por esse milagre eu daria tudo!Sim, não há no mundo o que eu não estivesse pronto a dar em troca. Daria até a alma!" (pag. 36)

E é o que acontece. Depois disso Dorian vive uma vida de libertinagem, cometendo todos os pecados. E:

"Estava cada vez mais enamorado da sua própria beleza, mais e mais empenhado em corromper a sua própria alma" (pag.123)

Dorian, pouco a pouco foi transformando. Foi perdendo a sua essência bela. Como nas palavras de Basil:

"-Que horror, Dorian! Alguma coisa o transformou completamente. Por fora, voce Ainda é o belo rapaz que, não faz muito, ia ao meu estúdio e posava diariamente para o seu retrato: um rapaz simples, afetuoso, sem afetação. A criatura mais inocente deste mundo. Agora, não sei o que lhe sucedeu. Fala como se não tivesse coração, como se desconhecesse a piedade. " (pag.107)


Não contaremos o final da história, para o interessados fica aqui uma dica de ótima leitura. Um livro imperdível!
Narciso, Dorian e Jacobina carregam em si uma atitude que praticamente todos os humanos possuem.  A preocupação pela imagem. Uns até transformam essa preocupação em um orgulho. Vivem apenas pela imagem. O que importa é a aparência. A alma fica por segundo plano. 
E realmente ainda vivemos na "Sociedade do Espetáculo" que um dia foi descrita pelo filósofo francês Guy Debord, onde este critica essa sociedade mediada por imagens;


"o espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda a vida humana -isto é, social- como simples aparência" (pag.16) e:

"Quando o mundo real se transforma em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico" (pag.18)


E para finalizar nada mais intrigante do que a afirmação de Oscar Wilde no Prefácio da obra:


"...A alma é uma realidade terrível. Pode ser comprada,
vendida, barganhada, intoxicada ou aperfeiçoada.
Há uma alma em cada um de nós. Eu sei"






sábado, 19 de maio de 2012

Gustave Flaubert & Eça de Queirós: A realidade despida

O objetivo deste ensaio é aproximar a obra do escritor francês Gustave Flaubert com a obra do escritor português Eça de Queirós. Ambos representante do Realismo. Para tal artimanha e provocação selecionamos a obra "Madame Bovary" (Gustave Flaubert); e o "O Crime do Padre Amaro" (Eça de Queirós). Ambas as obras do Realismo. Porém nosso enfoque será nas protagonistas de cada romance: "Emma Bovary"; e "Amélia"
A segunda metade do século XIX é a época dourada do romance, associado ao triunfo social da burguesia. Em toda Europa os escritores descrevem com espírito crítico e realista a nova sociedade. O romance demonstra ser o gênero adequado para retratar a sociedade capitalista movida pelo poder e pelo dinheiro. Seus traços facilitam uma perspectiva ampla da psique humana.


Gustave Flaubert (1821-1880) Principal representante do Realismo, com estilo minucioso unido a qualidade da prosa e a precisão das descrições  à complexidade dos argumentos, são algumas das grandes qualidades deste escritor. Trabalhava com grande desenvolvimento seus personagens, daí o caráter psicológico dos mesmos. "um mergulho na alma humana".












José Maria Eça de Queirós (1845- 1900)- É considerado o mais importante nome do Realismo português.
O Realismo se manifesta em sua obra na questão da crítica a sociedade e seus costumes. Eça soube flagrar vários aspectos da sociedade lisboeta. Para isso utilizou a ironia sutil e os recursos descritivos.
Sua produção literária pode ser dividida em três fases, mas é na segunda fase que sua obra se encaixa melhor a ideologia da época. Nesta e´poca aflora um Eça maduro, com uma escrita massacrante denunciando escândalos desta sociedade burguesa. 


O Crime do Padre Amaro
Considerado um romance de tese onde o autor discute ideias e defende algumas proposições.
No romance, o maior questionamento é sobre o celibato clerical, e com isso, o autor critica a sociedade ao "todo", porque ele vai fundo questionando a fé, mostrando que a hipocrisia e a falsidade tem um poder muito forte e desvirtuoso. A partir do envolvimento entre Amaro e Amélia, Eça compõe o quadro social da vida provinciana, caracterizando a hipocrisia religiosa dos personagens e o ambiente medíocre da pequena cidade. Desse envolvimento, Amélia caba engravidando. Para não levantar suspeitas, Amaro leva Amélia para fora da cidade, quando a criança nasce, levam-a para uma "tecedeira de anjo", assim são chamadas, porque davam fim aos recém nascidos. Amélia morre depois de dar a luz a criança, logo em seguida a criança também morre. O padre Amaro, vive normalmente como se nada tivesse ocorrido, sempre ocultando seu pecado. 
Com esse enredo Eça desmonta o padrão religioso da época.






Garanto que todos estão pensando: onde há uma comparação entre Amélia e Emma? Pois Emma é uma mulher além do seu tempo. Rompe os padrões....
Pois vamos lá!!!!




Madame Bovary
Uma espécie de homenagem a Dom Quixote pela relação obsessiva da protagonista com os livros. E ao mesmo tempo uma crítica ao romantismo. Retrata sem piedade um caso de excesso de idealismo; Emma é esposa de um médico do campo, homem bom, mas comum. Ela alimenta sua fantasia com leituras de romances sentimentalistas que levam a uma série de infidelidades. No final, oprimida por suas dúvidas, Emma acaba se suicidando.
Entre seus tantos méritos o romance se destaca pela perfeição formal e estilística, pelo excelente retrato psicológico da personalidade feminina e pela forma desapaixonada e distante de descrever um tema aparentemente escandaloso: o Adultério.




Nossa comparação poderia ficar na questão do pecado? Costumes e padrões?  


Os dois romances se cruzam com características realistas muito peculiares como:


-Verossimilhança: Os argumentos se baseiam na realidade cotidiana com personagens comuns. Além disso, situam-se no contexto contemporâneo do autor e leitor.


-Presença do narrador onisciente: aquele que sabe tudo sobre a trama e os protagonistas.


-Sobriedade no estilo: Simples e sem complicações formais. O escritor busca antes de tudo a clareza e a exatidão.


E o protagonista em conflito com a sociedade cuja a solução quase sempre é o fracasso dele.


Bom, mas e amélia e Emma?


Emma e Amélia são próximas e ao mesmo tempo distantes.Vamos enaltecer aqui apenas a suas aproximação, que no contextos de ambas serem "românticas" Amélia sonhando com uma família feliz, idealizando um futuro sentimental estável. Já Emma movida pelos romances lidos, fez de sua vida semelhantemente a literatura um romance sentimental.
Mas ambas as personagens naufragam em seus ideais de vida. Imaginam, sonham, desejam semelhante vida romântica, porém são engolidas pelo caráter hipócrita de uma sociedade, que em fase de mutação, não consegue um estado fixo. Seus sonhos, desejos, são fracos diante da mentira e do caráter humano.
ambas as obras denotam uma crítica: Madame Bovary enfatiza esta crítica à família. Já O crime do Padre amaro descortina a igreja.
Ambas as obras mostram uma narrativa lenta com o tempo psicológico.
O universalismo e o Objetivismo são também marcas destes romances.


Bom, ficarei por aqui neste meu curto ensaio. Abordagens sei que são inúmeras de cada uma das obras


E gostaria de terminar meu estudo com uma singela provocação a nós leitores amargurados deste livro que se chama mundo:


"Que falta nos faz hoje um Eça de Queirós ou Um Gustave Flaubert!!!!Para descortinar, despir, desnudar.... entre tantas outras palavras que resumem o ato de não ocultar nossa realidade, de mostra-lá assim como ela é... e também mostrando a nossa nudez de alma: medos, anseios, desejos, e nosso caráter... Caráter humano. Sujeito a tantas dores e alegrias. Sujeito ao pecado e o perdão...
Queremos que nos arranque uma lágrima de sangue. E que essa lágrima possa ser a nossa redenção... Possa ser a estrela que faltava em nossa bandeira, que seja nosso brasão familiar, mas que nunca deixe de mostrar realidade assim como ela é...."